1 de março de 2011

Substantivos: aumentativos e diminutivos

Em língua portuguesa, os substantivos também se flexionam em grau: bola, bolinha, bolão. É uma estrutura morfológica que incide sobre a base das palavras, mas com uma finalidade semântica. A flexão de grau permite se ter uma ideia de dimensão de um determinado nome, de uma determinada ideia, permite que uma ideia seja anexada ao significado da palavra por meio de uma flexão, trata-se de uma ampliação de sentido ou de fornecimento de um novo sentido por meio de uma mesma base. A forma sintética incorpora no próprio nome a ideia de grande ou de pequeno, são sufixos tais como -ão, -ona, -inho, -inha e outros sufixos menos produtivos ou recorrentes como em casebre ou livreco. A formação do aumentativo e do diminutivo respeita as bases ou o radical das palavras, mas não se trata, entretanto, de uma nova palavra, trata-se de uma flexão, de uma alteração de uma base com vistas a um objetivo semântico.


A forma analítica, entretanto, é muito usada, visto que, para certos nomes, incorporar um sufixo em determinadas situações de fala vai contra a lei do menor esforço como, por exemplo, no caso da palavra homúnculo que significa pequeno homem ou homem pequeno ou anão; ou mesmo no caso da palavra cabeçorra que significa cabeça grande. Outras palavras são: manzorra, canzarrão, bocarra, barcaça que talvez sejam melhor expressas por mão grande, cão grande, boca grande e barco grande. Diz-se melhor certas expressões diminutivas ou aumentativas na forma analítica ou por não possuírem uma forma sintética ou pelo fato de a forma sintética ser erudita ou pouco usada, daí cidade pequena em vez de cidadezinha ou mundo grande em vez de mundão. Na verdade, a forma analítica em que usamos o adjetivo grande ou o adjetivo pequeno é mais usual e fruto de uma combinação, de uma análise, tendência das línguas românicas modernas.

Muitas vezes, o diminutivo ou o aumentativo não carrega a ideia de pequenez ou grandenza física, mas expressa um juízo de valor, uma qualidade: mulherão, mulherzinha e meninão. Nestes casos, há um juízo de valor, depreciativo para mulherzinha e meninão e apreciativo para mulherão. Há também os casos de substantivos que estão morfologicamente no aumentativo ou no diminutivo, mas que, na verdade, significam outra coisa diferente de suas bases e são, de fato, outra palavra: portão, garrafão, portinhola, papelão, cartão, churrasquinho. Portão não é uma porta grande a princípio, mas uma porta principal ou de entrada; garrafão é a área demarcada da quadra de basquetebol, apesar de poder ser também uma garrafa grandeportinhola é a porta de veículos antigos; papelão, o material de que são feitas algumas caixas; cartão, um papel especial que geralmente porta uma mensagem; churrasquinho é o churrasco no espetinho. Nesses e em muitos outros casos, a origem do nome pode estar no aumentativo e no diminutivo, mas aos poucos, recebendo certa autonomia, passa a designar algo diferente de sua origem: calçada e calçadão, sacola e sacolão, caminho e caminhão.

Certas formas eruditas aumentativas e diminutivas vêm sendo paulatinamente substituídas: gotícula por gotinha; corpanzil por corpão; copázio por copão ou copo grande e outros. Há, enfim, uma tendência ao analitismo, mas certamente algumas palavras guardam o seu charme apenas na forma sintética: rochedo, muralha, partícula, fornalha, vilarejo, lugarejo, ilhota, xicarazinha, cachorrinho, carrinho etc

Vai aí esta reflexão.

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